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A humanidade poderia ser sustentável, mas ... nós queremos?

A humanidade poderia ser sustentável, mas ... nós queremos?

Diz-se que o planeta está em crise, mas isso é apenas uma meia verdade, a Terra está apenas passando por mudanças em sua superfície, em grande parte devido à ação humana, mas não está indo embora. A verdadeira crise está em nossa civilização, em nosso modo de vida.

Embora a espécie humana tenha aumentado enormemente em número de indivíduos, esse crescimento por si só não deve ser um problema, pois também temos as ferramentas e conhecimentos para que toda aquela população tenha uma boa qualidade de vida, sem a necessidade de se comprometer. recursos naturais para as gerações futuras.

Temos conhecimento e tecnologia para produzir alimentos e energia de forma sustentável. Também usar e reciclar a água potável para que ela não acabe. Seria então possível satisfazer o consumo total de produtos e serviços se fosse mais racional. Além, claro, de reduzir, reaproveitar e reciclar nossos resíduos de forma que não causem um colapso ambiental no entorno de cada cidade. Em suma, poderíamos reduzir drasticamente o impacto ambiental de nossas atividades, sem que isso signifique voltar à época das cavernas, como dizem nossos detratores, que nós ecologistas pretendemos fazer.

O problema está na forma como a nossa civilização se desenvolveu, nos meios e tecnologias que foram usados ​​e na forma como foi organizada. O que prevalece até agora não é a sustentabilidade dos recursos, mas a geração de novas necessidades de consumo, de forma a aumentar as vendas e, portanto, os benefícios econômicos das empresas que os produzem. E para aumentar ainda mais esses benefícios, os custos são reduzidos ao máximo, o que também significa deterioração da saúde e do bem-estar da população, poluição e destruição evitável de ecossistemas.

Os desequilíbrios ecológicos, como o aquecimento global, são uma consequência direta da sobre-exploração dos recursos naturais, neste caso em particular dos recursos fósseis, e afetam todas as regiões do mundo. Mas seus piores efeitos são sentidos com mais intensidade nas áreas mais deprimidas e, dentro delas, nos setores empobrecidos. E isso está piorando rapidamente.

Não há dúvida de que se trata de uma crise estrutural, uma crise do modelo de desenvolvimento que prevaleceu no planeta e se acentuou nas últimas décadas. Isso requer um repensar dos parâmetros, uma mudança profunda e não mais soluções parciais.

Na América Latina, a resistência ao modelo foi e é muito numerosa. Eles estão presentes em todos os setores populares: camponeses, trabalhadores, indígenas, afrodescendentes, movimentos ambientalistas, mulheres e jovens, entre outros.

Mas a época da resistência, está dando lugar a uma nova etapa, a da proposição e implementação de novas alternativas.

É preciso começar a pensar em alternativas viáveis ​​e começar a introduzi-las na prática para que a mudança de modelo não seja tão drástica, para que o colapso final do capitalismo nos encontre preparados.

Em suma, construir os alicerces de uma nova civilização, baseada no uso sustentável dos recursos naturais, que possa oferecer respostas às necessidades dos povos, incluindo todas as culturas, saberes, filosofias e religiões, para que cada um ofereça o seu. contribuição própria para a nova construção social.

Este processo está em andamento e nele apoiamos muitas de nossas expectativas de que um mundo melhor seja possível.

Ricardo Natalichio
diretor
www.ecoportal.net


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