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Plataforma Biofuture: nem limpa, nem ecológica

Plataforma Biofuture: nem limpa, nem ecológica

Vinte países fizeram parceria com a indústria para formar a chamada Plataforma Biofuture. Seu objetivo é substituir o petróleo por matérias-primas renováveis ​​para a produção de biocombustíveis, bioplásticos e biomateriais. Mas os efeitos da bioindústria nos ecossistemas e na produção de alimentos são fatais.

O que é a plataforma Biofuture

A Plataforma Biofuture pretende ser um mecanismo de múltiplas partes interessadas, orientado para a ação e dos principais países para o diálogo político e a colaboração entre países, organizações, instituições acadêmicas e o setor privado, ciente da necessidade de acelerar o desenvolver e expandir a implantação de alternativas modernas de baixo carbono e sustentáveis.

O objetivo final da Plataforma Biofuture é ajudar na luta global contra as mudanças climáticas, fomentar soluções de transporte de baixo carbono e a bioeconomia, bem como contribuir para o desenvolvimento sustentável e as metas de desenvolvimento, especialmente o ODS 7 ( energia sustentável) e 13 (ação contra as mudanças climáticas), além de contribuir para o ODS 8 (crescimento econômico e trabalho decente), 9 (indústria, inovação e infraestrutura), 2 (agricultura sustentável e fome zero)) e 15 (florestas e ecossistemas).

Quem inventa

A Plataforma Biofuture foi proposta pelo governo brasileiro a vários países importantes nos cinco continentes. O objetivo da iniciativa é reunir um grupo relativamente limitado, mas forte, de países com ideias semelhantes que são líderes na nova bioeconomia avançada ou interessados ​​em seu desenvolvimento. Vinte países são os fundadores e atuais Estados Membros da Plataforma Biofuture: Argentina, Brasil, Canadá, China, Dinamarca, Egito, Finlândia, França, Índia, Indonésia, Itália, Marrocos, Moçambique, Holanda, Paraguai, Filipinas, Suécia , Reino Unido, Estados Unidos e Uruguai.

O setor de transporte

Há uma necessidade urgente de uma solução escalonável e sustentável imediata para reduzir as emissões de carbono no setor de transporte. O transporte é o setor que até agora tem sido um dos mais desafiadores para a mitigação, sendo responsável por cerca de 23% das emissões mundiais de gases de efeito estufa relacionados à energia, de acordo com o IPCC.

Embora muita atenção, investimento e colaboração tenham sido dados a nível internacional no campo das energias renováveis, as ações mais recentes foram direcionadas ao setor de energia. Embora isso seja positivo e crítico, o mundo também deve fazer mais para expandir as alternativas aos combustíveis fósseis no transporte e na indústria, aproveitando as novas tecnologias sustentáveis ​​que já existem.

Dado que os combustíveis de baixo carbono para transporte são a alternativa mais rápida para reduzir a intensidade de carbono do setor sem esperar por mudanças na frota e infraestrutura, a Plataforma Biofuture visa ajudar a preencher essa lacuna de atendimento, coordenar políticas e colocar o problema na agenda global.

Países membros

Mas o verdadeiro problema é o consumo

Para evitar os piores efeitos da mudança climática, os governos devem acabar imediatamente com nosso consumo excessivo de energia e matérias-primas, proteger ecossistemas como as florestas primárias, que são os melhores estoques de carbono, e planejar a transição para energia renovável. Este setor representa 10% do consumo mundial de energia, um número em ascensão.

Mais da metade da energia renovável vem da queima de madeira e outros tipos de biomassa. Governos e organizações internacionais querem impulsionar ainda mais o uso de biomassa e criar uma “nova bioeconomia”. Para tal, a Plataforma Biofuture visa não só promover a combustão da biomassa, a chamada “bioenergia moderna”, mas também a produção de plásticos a partir de matérias-primas agrícolas.

Isso requer grandes quantidades de madeira, culturas energéticas e matérias-primas agrícolas. Cobrir globalmente nosso consumo excessivo e crescente de energia e recursos com energias renováveis ​​não é uma solução ecologicamente correta. Significa queimar as florestas da Terra e cultivar árvores e plantas como dendezeiros em grandes monoculturas para usar como matéria-prima.

- Florestas e árvores armazenam carbono a longo prazo, queimando-as produz tantas emissões nocivas para o clima quanto o carbono.

- As plantações industriais de árvores exigem grandes extensões de terra, ameaçam os ecossistemas naturais, a biodiversidade, os solos e os recursos hídricos e representam graves conflitos de terra, além de condições de trabalho desumanas.

- A bioeconomia também absorve os recursos necessários para tecnologias mais ecológicas, como a energia eólica e solar.

Carta

Para: Governos da Argentina, Brasil, Canadá, China, Dinamarca, Egito, Estados Unidos da América, Filipinas, Finlândia, França, Índia, Indonésia, Itália, Marrocos, Moçambique, Holanda, Paraguai, Reino Unido, Suécia

Rejeite a Plataforma Biofutura e exija soluções reais como menor consumo de matéria-prima, proteção de ecossistemas e agricultura sustentável.

Leia a carta

Assine a petição de mais de 120 organizações ambientais em todo o mundo.


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